Finais não são bons, certo?
Bom, nem todos…
Mas estes de pertencimento costumam ser os piores. Quando você sente que fez parte da história do outro, e, de alguma forma, sentiu-se encaixado nela.
Retirar peças que se encaixam é bastante doloroso, não importa o motivo, ou quem as desencaixou.
É doloroso, e você precisa entender isso.
O não pertencimento ao cotidiano do outro é o que estimula a nossa sensação de posse. Pensar que aquelas frases são – ou serão – ditas a outro alguém. Que a mãe dele vai chamar outra pessoa de nora.
Que o café da tarde na cozinha terão outros integrantes, as conversas, as festas, reuniões de família.
Você não fará mais parte daquele contexto, e ele, mais cedo, ou mais tarde, pertencerá à outra pessoa. Mas cuidado! Não digo ele, de ele a pessoa, e sim o cenário, os amigos, a camiseta, o casaco de frio…
No fundo, no fundo, o mais difícil de um término é imaginar que todas aquelas coisas e pessoas maravilhosas não serão mais partilhadas com você.
É a saudade do contexto, o medo de encarar outros solitários cenários.
O mais difícil é compreender que fazer parte das experiências e vivências do outro faz com que elas sejam suas, mesmo que como lembranças.
E você tem muito a dividir e a absorver de outros mundos. Nada começa ou termina ali. A vida é um ciclo, e tudo bem estar tudo de ponta cabeça às vezes. Já, já você se encontra, se descobre, redescobre e segue.



